José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira (Vila do Conde 17.9.1901 - 22.12.1969), licenciou-se em Filologia Românica, em 1925, na Faculdade de Letras de Coimbra, com a tese «As Correntes e as Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa». Com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões fundou, em 1927, a revista Presença, que marcou o segundo modernismo português e de que Régio foi o principal impulsionador e ideólogo. Foi desde esse ano, professor liceal no Porto e a partir de 1929 em Portalegre, local onde reuniu uma valiosa colecção de iconografia religiosa, conservada na sua casa, que foi transformada em museu após a sua morte. Participou activamente na vida pública e apoiou o general Nórton de Matos na sua candidatura à Presidência da República e, mais tarde, a candidatura do general Humberto Delgado. Como escritor, dedicou-se principalmente, ao romance, ao teatro, à poesia e ao ensaio. Na sua obra, são centrais, as problemáticas do conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade, numa análise crítica das relações humanas e da solidão. A sua poesia, de grande tensão lírica e dramática, apresenta-se frequentemente como uma espécie de diálogo entre níveis diferentes da consciência.